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Oficina do Instituto Mancala debateu a convergência entre inteligência artificial, energia e tecnologias quânticas e a necessidade de formar uma massa crítica negra para ocupar esses espaços.
Representantes do Instituto Mancala e organizações parceiras no I Congresso Internacional sobre Desigualdades Raciais e Tecnologias Digitais.
Em um mundo cada vez mais conectado, algoritmos ajudam a decidir quais conteúdos vemos, sistemas automatizados são utilizados em processos de seleção e ferramentas de inteligência artificial passam a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas.
Mas uma pergunta continua fundamental: quais vivências, territórios e ideias são consideradas durante o processo de inovação? E para quem esses produtos são criados?
Foi a partir de questões como essa que pesquisadores, pesquisadoras, profissionais, estudantes e organizações se reuniram no I Congresso Internacional sobre Desigualdades Raciais e Tecnologias Digitais, uma agenda inédita no Brasil dedicada a discutir as relações entre raça, tecnologia e os desafios impostos pela transformação digital.
O Instituto Mancala foi um dos organizadores desse encontro, contribuindo para um debate que parte da premissa de que a tecnologia não é neutra. Ela é criada por uma sociedade que ainda carrega preconceitos e, muitas vezes, ignora a contribuição negra e indígena em todo o processo.
Como pensar estratégias de apropriação crítica e emancipatória diante das transformações tecnológicas que já estão em curso? Essa foi a provocação central da oficina conduzida pelo Instituto Mancala, por meio de seus representantes: Igor Miranda e Narcelio Ramos.
Para isso, o encontro apresentou três grandes ecossistemas que devem moldar os próximos anos: a inteligência artificial, as novas matrizes energéticas e as tecnologias quânticas. Mais do que avanços isolados, essas áreas estão interligadas e têm o potencial de impulsionar umas às outras, criando novas possibilidades científicas, econômicas e sociais.
A discussão também buscou aproximar essas transformações das realidades das comunidades negras. Se a convergência entre inteligência artificial, energia e tecnologias quânticas promete provocar mudanças profundas, a questão que orientou a oficina foi como garantir que essas comunidades estejam no centro da inovação, e não apenas recebendo seus impactos.
O debate passou, assim, pelos efeitos ambientais, políticos e econômicos dessas tecnologias e pela necessidade de ampliar a participação de diferentes grupos na construção dos futuros tecnológicos.
Outro ponto fundamental foi a formação de uma massa crítica capaz de ocupar esses espaços. Pensar o futuro da tecnologia exige olhar também para o presente e para os desafios da educação, da continuidade da formação e da criação de oportunidades para que mais pessoas negras possam atuar em áreas estratégicas.
Afinal, discutir inteligência artificial, energia ou tecnologias quânticas não é apenas falar sobre o que está por vir, mas sobre quem terá condições de participar da construção desse futuro.
Veja abaixo o vídeo completo da oficina:
Um dos resultados apresentados durante essa trajetória foi o lançamento do Odu.Codes, documento que reúne reflexões e caminhos para pensar as relações entre conhecimentos, tecnologias e outras possibilidades de futuro.
O lançamento dialoga diretamente com a ideia de que não é possível construir tecnologias verdadeiramente inclusivas sem ampliar também as referências que utilizamos para imaginá-las.
Você pode conferir o documento completo com as reflexões e caminhos apresentados no lançamento.
Quem produz conhecimento também ajuda a definir quais futuros são possíveis. É a partir dessa ideia que atua o Instituto Mancala, organização dedicada à promoção da ciência, da tecnologia e da inovação como ferramentas de transformação social e de enfrentamento às desigualdades raciais sob a perspectiva negra e indígena.
O Instituto trabalha para ampliar a presença de pessoas negras e indígenas nos espaços de produção de conhecimento e desenvolvimento tecnológico. Isso significa não apenas criar oportunidades de formação, mas também questionar quem está no centro das decisões, quais conhecimentos são considerados relevantes e quem se beneficia das inovações que estão sendo produzidas.
A atuação do Mancala passa por pesquisa, formação, desenvolvimento de tecnologias e construção de projetos voltados às necessidades de comunidades historicamente afetadas pelas desigualdades. A proposta é aproximar conhecimento e realidade, criando caminhos para que diferentes vivências possam participar da construção das tecnologias que irão impactar nossos futuros.
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